O MDM refere em nota enviada à nossa redação, que "são muitas as razões que nos levam à rua: a defesa de melhores salários e pensões a defesa dos serviços públicos, do ambiente, o combate às violências, o direito a trabalho com direitos, a uma habitação digna, à saúde e à paz". O movimento também exige "uma vida com dignidade" e recusa-se "a aceitar viver sem os direitos tão duramente conquistados, não aceitamos retrocessos num momento em que se agravam as desigualdades, a precariedade laboral, a desvalorização continuada dos salários e das carreiras das trabalhadoras dos sectores social, do comércio, nas escolas ou na saúde, as reformas e pensões abaixo do valor do limiar da pobreza, os direitos de maternidade/paternidade, o custo de vida, insuportável para a maioria das mulheres, a degradação dos serviços públicos. Não aceitamos que se continuem a agravar as várias formas de violência e discriminação sobre as mulheres".
"No Alentejo, e concretamente no nosso distrito, o despovoamento, o envelhecimento da população, a falta de atrativos para os jovens se fixarem no território, a precariedade no emprego e a cada vez maior fragilidade dos Serviços públicos e falha nos Serviços sociais, são entraves à melhoria das condições de vida das mulheres alentejanas", acrescenta o MDM. "As mulheres são a maioria dos trabalhadores nos serviços, nos cuidados, no turismo onde se faz sentir a precariedade laboral com trabalho sazonal, com contratos a prazo, a recibos verdes. É urgente a valorização do trabalho das mulheres nestes sectores e a criação de emprego qualificado que permita às jovens permanecer no território", é também referido na nota.
O movimento acrescenta ainda que "na agricultura, onde as mulheres já foram a maioria dos trabalhadores, e em particular em herdades onde se fazem monoculturas intensivas e nas últimas décadas, são migrantes que aí trabalham, muitos e muitas ilegais, por vezes vítimas de tráfico, trabalham sem direitos, vítimas de forte exploração laboral. Urge que as entidades competentes deem resposta às vítimas de tráfico e fiscalizem as condições de trabalho dos migrantes. Nos apoios às famílias, às mulheres que trabalham são necessárias mais creches e jardins de infância públicos, equipamentos de apoio aos idosos, principalmente nos meios rurais, apoios à maternidade e parentalidade, horários de trabalho que permitam o acompanhamento à família e às crianças, que seja reconhecido e apoiado o trabalho de cuidados que recai sobretudo sobre as mulheres. São necessárias medidas que permitam uma habitação digna em meio urbano e nos meios rurais".
As preocupações com Serviço Nacional de Saúde (SNS) também fazem parte desta MNM, pelo que o movimento diz que "é urgente defender o SNS no distrito, com a ampliação e requalificação do Hospital de Beja, com o Hospital de Serpa a dar resposta às necessidades da população, com a manutenção de maternidades no território e dos serviços de ginecologia e obstetrícia, com respostas que não existem para o acesso à saúde sexual e reprodutiva, nomeadamente no acesso à IVG em condições seguras para a mulher. São necessárias respostas para o envelhecimento feminino, nos cuidados continuados, saúde mental e respostas à solidão".
A "prevenção e combate à violência doméstica" e o "apoio às vítimas com mais estruturas de apoio, com equipas especializadas, com campanhas de sensibilização nas escolas e em meios rurais onde é maior o isolamento", são questões para as quais o MDM quer também respostas urgentes.
O movimento ainda centra atenções na "oferta de transportes públicos rodoviários que ligue os territórios do Alentejo essenciais para o acesso ao trabalho, aos serviços de saúde e educação", pedindo que se encontrem mais respostas e que se "melhorem as ligações ferroviárias, com ligação directa a Lisboa". Outro fator de preocupação maior no território, e que requer urgente solução, é "o isolamento das mulheres em aldeias e montes". O MDM pede que "exista uma maior mobilidade e a custos acessíveis para todas", porque "são necessárias medidas que travem a desertificação humana do Alentejo".
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