Voltar

Política

AR com agenda intensa no início do ano

Política

AR com agenda intensa no início do ano

Foto: AR

O Parlamento inicia o ano de 2026 com uma agenda legislativa particularmente intensa, centrada em dossiês como a imigração, a habitação, a lei laboral e a justiça.

As prioridades foram anunciadas pelos vários grupos parlamentares nas últimas semanas de 2025 e prometem marcar o arranque dos trabalhos parlamentares, num contexto político condicionado pela campanha para as eleições presidenciais.

Segundo o jornal Público, entre os temas em destaque estão a revisão do Código do Trabalho, novas medidas para a habitação e um conjunto de diplomas ligados à imigração. Neste último ponto, sobressaem a regulamentação do Estatuto do Apátrida, a chamada lei do retorno e a revisão da Lei da Nacionalidade, diploma que foi vetado pelo Presidente da República e que deverá regressar ao Parlamento no início do ano.

A campanha presidencial deverá ter um impacto direto na calendarização dos trabalhos na Assembleia da República. Está prevista a suspensão das sessões plenárias na segunda semana de campanha e, caso exista uma segunda volta, poderá haver novo interregno. A leitura formal do veto presidencial à Lei da Nacionalidade está agendada para a primeira semana de janeiro, seguindo-se a discussão parlamentar cerca de quinze dias depois. O PSD admite que a negociação será exigente, envolvendo o PS e o Chega, sobretudo devido à necessidade de enquadrar constitucionalmente o novo regime.

Além da Lei da Nacionalidade, o PSD dá prioridade à regulamentação do Estatuto do Apátrida, inspirada num projeto anteriormente apresentado pelo Livre, e à aprovação de diplomas do Governo. O vice-presidente da bancada social-democrata, Hugo Carneiro, sublinha que existem diretivas e regulamentos em atraso, razão pela qual o partido está disponível para abdicar de alguns agendamentos próprios. Entre os principais dossiês do PSD para o primeiro trimestre estão ainda a reforma da Lei de Enquadramento Orçamental, a reforma laboral e um conjunto de medidas para a habitação, que incluem regras para o licenciamento turístico, urbanização e edificação, reabilitação urbana e desagravamento fiscal.

Do lado do Partido Socialista, a bancada anunciou que irá concentrar a sua ação parlamentar no combate à violência doméstica, na reforma da justiça e nas políticas de combate à pobreza. O PS mantém igualmente iniciativas no domínio da legislação laboral, conforme foi referido pelo líder parlamentar socialista durante o jantar de Natal do partido.

A Iniciativa Liberal aposta fortemente na modernização da justiça, defendendo o fim da concentração em megaprocessos, a redução de penas em caso de confissão, a profissionalização das comarcas e a integração de ferramentas de inteligência artificial no sistema Citius para gestão de processos. O partido propõe ainda alterações à eleição das juntas de freguesia, que passaria a ser indireta, e apresenta medidas sociais dirigidas a pessoas com deficiência e desempregados de longa duração. No campo da habitação, defende incentivos como a não tributação de mais-valias e a isenção fiscal para imóveis devolutos colocados no mercado de arrendamento.

O Livre prepara iniciativas para a criação do Serviço Nacional da Habitação, para a constituição de uma Agência Portuguesa para a Inteligência Artificial e para o reforço do Serviço Nacional de Saúde. Entre as propostas estão o alargamento do acesso à saúde sexual e reprodutiva, o aumento do número de médicos de família, o reforço das equipas comunitárias de saúde mental e projetos-piloto como o programa Saúde Materna Mais Próxima. O partido pretende ainda legislar sobre publicidade ao jogo online e o alargamento do direito ao esquecimento.

Já o PCP centra-se no aumento dos salários e das pensões, no controlo do custo de vida e no reforço dos serviços públicos, nomeadamente na saúde, educação e habitação. O partido promete uma forte oposição a alterações laborais propostas pelo Governo. A deputada Paula Santos destaca como prioridade a integração do internato médico na carreira, como forma de fixar profissionais no Serviço Nacional de Saúde.

O CDS-PP coloca o foco no combate à imigração ilegal, na aprovação de legislação sobre símbolos nacionais e no reforço de políticas de natalidade, cuidados continuados e cuidados paliativos, defendendo igualmente a redução da burocracia administrativa.

O Bloco de Esquerda quer levar a debate temas como o trabalho por turnos, a imposição de tectos às rendas, a regulação do alojamento local e medidas de redução do custo de vida. Em articulação com o PAN, o Bloco pretende ainda concluir legislação sobre crimes sexuais, violência doméstica, maus-tratos a animais e direitos digitais.

Por fim, o deputado do JPP, Filipe Sousa, mantém como prioridades a coesão territorial, a simplificação do subsídio social de mobilidade e a proteção da produção vínica local. O partido chama ainda a atenção para a necessidade de mitigar os custos da ultraperiferia, nomeadamente nas áreas da energia, comunicações e combustíveis.

Com uma agenda legislativa carregada e condicionada pelo calendário eleitoral, os trabalhos parlamentares do início de 2026 prometem debate intenso e negociações complexas, acompanhadas de perto pela opinião pública.


PUB
PUB
PUB
PUB
PUB

18.ª Gala de Mérito Escolar do Crédito Agrícola Mútuo do Alentejo Sul

Música

Vencedores dos Grammy anunciados hoje com dois portugueses nomeados

Acabou de tocar...

BEJA meteorologia
Top
Este site usa cookies para melhorar a sua experiência. Ao continuar a navegar estará a aceitar a sua utilização.