"O resultado da CDU, em geral negativo, foi obtido num quadro de profunda adversidade, silenciamento e discriminação do PCP e da CDU, num período de sucessivas eleições de âmbito nacional que colocaram maiores exigências políticas e eleitorais, designadamente para a obtenção de maiorias eleitorais nas eleições autárquicas, e marcado por uma tentativa de minorar o carácter local destas eleições, confundindo-as com outras e criando equívocos sobre as reais competências do poder local.
O resultado da CDU revela simultaneamente importantes elementos de resistência, que no Alentejo são evidentes quer com a conquista de oito câmaras municipais (Aljustrel, Arraiolos, Avis, Barrancos, Cuba, Montemor-o-Novo, Mora e Sines) dos quais quatro constituem novas maiorias (Aljustrel, Montemor-o-Novo, Mora e Sines). São ainda de realçar aumentos de votação que colocaram a CDU perto de obter novas maiorias (como foi o caso de Ferreira do Alentejo, Moura, Redondo e Portel) ou a perda da maioria em Santiago do Cacém num contexto partidário de coligação entre PS, PSD e IL, apresentada como lista de cidadãos eleitores, com o único objetivo de retirar a maioria à CDU e onde apesar disso a CDU reforça a sua votação.
São assim desmentidos os vaticínios sobre o inevitável sentido de perda da CDU e confirmadas as reais possibilidades de avançar. A conquista de 66 presidências de Junta de Freguesia, a eleição de 59 vereadores em diversos municípios do Alentejo, de 175 membros de Assembleias Municipais e de 522 eleitos diretos em Assembleias de Freguesia são dados que ilustram bem a importância da CDU no Poder Local na região que se afirma como a 3.ª força política autárquica na região, bem distante de outras forças que gozaram de ampla promoção mediática. A DRA do PCP afirma que a recuperação de maiorias perdidas nestas eleições, algumas das quais por muito pequenas margens de voto, é possível e constitui um objetivo desde já."
No mesmo documento é feita alusão, também, "à recente passagem do ministro das Infraestruturas pela região, através do percurso da EN2, saldou-se numa ação de propaganda que não abordou as questões essenciais e que se ficou por atos meramente simbólicos. O Alentejo necessita de ação e não de anúncios pífios, carimbos em “passaportes” ou inaugurações de rotundas. Necessita que se mobilizem os recursos financeiros indispensáveis, utilizando as diversas fontes de financiamento existentes.
A DRA do PCP entende que cada vez mais se impõe a necessidade de uma mudança de política e de atitude face ao Alentejo. Desde há muito tempo que o PCP tem vindo a defender e a propor a concretização de um Programa de Infraestruturas Públicas no Alentejo. É necessário que de uma vez por todas se concretizem os investimentos necessários à região, onde as infraestruturas nas áreas da mobilidade, da saúde e da educação, assumem um papel central, mas onde são também necessárias intervenções a nível da gestão dos recursos hídricos e da área da agricultura. O PCP continuará a lutar por esse objetivo que terá desde já expressão no conjunto de propostas que apresentará no âmbito da discussão da proposta de Orçamento de Estado para 2026."
"A DRA do PCP sublinha a necessidade de se apostar no desenvolvimento da região, na qualificação das infraestruturas e equipamentos existentes.
A nível da rodovia: a construção do IC 33 com perfil de autoestrada sem portagens ligando Sines a Évora; a requalificação do IP2 em toda a sua extensão nos distritos de Évora e Portalegre; a requalificação do IC 1 entre Palma e Alcácer do Sal (Sul); a requalificação da EN253 (Alcácer do Sal / Comporta), da EN120, entre Cruz de João Mendes e Santiago do Cacém, da EN 261 (Melides / Tróia), da N2 entre Mora e Casa Branca, do troço da EN370 entre Avis e o Concelho de Alter do chão, da EN 258 no troço entre Vidigueira e Moura e da EN 386 entre Amareleja e Barrancos; a Construção de variantes em Montemor o Novo, Moura, Ponte de Sor e em Santa Eulália; o alargamento das pontes sobre a ribeira entre Casa Branca e Alcáçovas e sobre o Rio Ardila na Estrada que liga Moura a Alqueva; a construção de uma ligação com perfil de IC entre Abrantes e Estremoz, com passagem por Ponte de Sor, Avis e Sousel; a conclusão do Itinerário Complementar IC13, assegurando a sua execução em toda a sua extensão (Alter Chão – Montijo e Portalegre – Galegos); a conclusão das obras do IP8 em toda a sua extensão com perfil de autoestrada e sem portagens.
No âmbito da ferrovia: Investimento na Linha do Alentejo, com a requalificação eletrificação até Ourique, garantindo a ligação a Faro. Construção da variante para servir o Aeroporto de Beja; o aproveitamento da linha Sines-Caia com utilização para transporte de mercadorias e de pessoas; melhoria do Serviço Ferroviário no litoral alentejano e reposição de serviços. Eletrificação da Linha do Leste e aproximação à Cidade de Portalegre.
A nível da saúde: Disponibilização urgente de verbas para as infraestruturas de água e saneamento e acessos ao novo Hospital Central Público do Alentejo e a conclusão deste com gestão pública; obras nos centros de Saúde da região de que é exemplo o caso de Alcácer do Sal; a criação de maternidade no Hospital do Litoral Alentejano e a reversão da concentração das urgências de ginecologia e obstetrícia no Distrito de Setúbal; a concretização da ampliação e modernização do Hospital distrital Dr. José Maria Grande, em Portalegre, de acordo com proposta do PCP aprovada no ano passado, bem como da 2.ª fase do Hospital Distrital de Beja.
No âmbito da educação: Requalificação das Escolas incluídas no Acordo entre o Governo e a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) de que são exemplos: EB 2,3 José Régio, em Portalegre; Escola Prof.ª Ana Maria Ferreira Gordo, no Crato; Pavilhão da Escola Secundária D. Sancho ll, em Elvas; Escola Secundária de Serpa, Escola EB23 de Vila Nova de S. Bento; Escola Secundária de Aljustrel.
Noutras áreas com destaque para: Investimento no Aeroporto de Beja e dinamização do seu funcionamento; criação de Plataforma Logística junto ao Aeroporto de Beja; Concretização célere dos Perímetros de Rega de Moura-Póvoa-Amareleja e Perímetro de Rega da Vidigueira, e do Empreendimento de fins múltiplos do Crato; apoio à construção de charcas e barragens de pequenas dimensões; disponibilização de verbas no âmbito do Ciclo Urbano da Água.
A luta pela concretização dos investimentos aqui referidos, bem como de outros que importa considerar é inseparável da luta pela valorização do trabalho aumentando os salários e salvaguardando direitos, é inseparável da luta pela defesa dos serviços públicos, além de contribuir através da realização destes projetos para a dinamização de toda a atividade económica na região, com reflexos positivos nas condições de vida."
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