A Quercus reforça que a sugestão de que a “sensatez” possa prevalecer sobre o cumprimento rigoroso da lei representa uma fratura conceptual perigosa. Num Estado de Direito, a legalidade ambiental não é uma sugestão maleável, mas sim o único referencial da ação administrativa.
O ICNF não é um “Facilitador” de Projetos nem de negócios. A associação reitera que a missão do ICNF é avaliar e escrutinar com base na ciência. A reprovação de projetos ambientalmente inviáveis não é um falhanço do sistema mas sim a prova da sua integridade e independência do poder político e económico. Pressionar o instituto para “facilitar” ou acelerar processos à custa do rigor técnico é desvirtuar a sua missão fundamental e expor o território a riscos irreversíveis.
A Quercus aproveita este momento para denunciar o que considera ser um erro estrutural profundo: a manutenção do ICNF numa tutela entre a Agricultura e o Ambiente. Esta solução governativa: Cria um limbo institucional que enfraquece o mandato de conservação. Abre espaço a interferências contraditórias e pressões setoriais. Subordina a biodiversidade a interesses produtivistas que deveriam, eles próprios, ser regulados pela tutela ambiental, enfraquecendo assim o ambiente perante todos os interesses.
A par da pressão política, o ICNF enfrenta uma carência crónica de técnicos e vigilantes da natureza. É contraditório exigir celeridade quando desinveste na capacidade de resposta da instituição. A Quercus exige que o Governo passe das palavras aos atos, garantindo que as instituições têm respaldo político e meios financeiros para dizer “não” sempre que a ciência e a lei o exijam.
Quando o discurso é ambíguo, legitima o incumprimento; quando é firme, protege o futuro. A Quercus apela ao Governo que assuma o seu papel de guardião da legalidade ambiental, respeitando sem reservas a independência de quem tem a missão de defender o nosso património natural.
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