"O equipamento, localizado no Largo do Corro, em Serpa, foi construído século XIX para albergar o Mercado Municipal, inaugurado em 1889. Por volta de 1983, o edifício deixou de funcionar como mercado e sofreu uma reabilitação, para instalação do Museu de Etnografia, que viria a ser inaugurado quatro anos depois, em 1987. Em 2018 encerrou ao público, para intervenções profundas no edifício, tendo sido encontradas, durante o decorrer da obra, diversas patologias que foi necessário corrigir, de forma a assegurar melhores condições de estadia e fruição do equipamento.
A obra preserva a sua função pública e valor patrimonial, ao mesmo tempo que introduz melhorias significativas em matéria de acessibilidade, conforto e eficiência energética. A mesma respeitou integralmente a volumetria e morfologia do edifício, reforçando a segurança contra incêndios com a instalação de saídas de emergência e claraboias de desenfumagem. A acessibilidade assegurou-se através de uma plataforma elevatória entre pisos, sanitários universais e nivelamento dos acessos exteriores.
Ao nível do conforto térmico e acústico, foram aplicados rebocos térmicos interiores, substituídos os vidros simples por duplos e instalado um sistema de climatização com piso radiante e ventilo-convectores. A ventilação natural e a impermeabilização da laje do piso contribuíram para uma melhor regulação higrotérmica.
A intervenção corrigiu patologias estruturais, reforçando os barrotes da cobertura e tratando as armaduras dos pilares. A relocalizada da zona de receção melhorou a articulação entre áreas expositivas, loja e bengaleiro, e criou-se uma estante pública para coleções não expostas. O espaço expositivo foi ampliado e reorganizado, com novas vitrines e áreas dedicadas a exposições temporárias, e a iluminação foi substituída por sistemas especializados de museu, e todas as infraestruturas técnicas foram renovadas com traçados discretos e integrados. Procedeu-se ainda à substituição da caixilharia por perfis modernos que respeitam a métrica original, assegurando leveza e durabilidade.
No que concerne à museografia, as peças da coleção apresentam-se agora em temas, refletindo a identificação dos ofícios e o papel dos utensílios na cadeia de tarefas. Um dos princípios expositivos é o de marcar a distinção entre os objetos e o espaço, através de dispositivos de separação, criando novos planos elevados relativamente ao piso, o “efeito Museu”. Outro princípio é o de evitar a encenação do ambiente do espaço de trabalho, investindo na valorização dos objetos, expondo-os na sequência do seu uso, o “para que serve”, e do seu lugar na sociedade em que se inserem. A contextualização desse uso é complementada através dos Guias de Visita, enquanto que através de códigos QR é possível aceder a vídeos e a áudios com informação adicional. Registos de sons e de imagens em movimento, originais e contemporâneos, caraterizam os ambientes de alguns núcleos", esclarece a autarquia serpense a propósito da requalificação deste espaço museológico, que volta agora a poder ser visitado.
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