De acordo com os investigadores do estudo, João Canavilhas, coordenador do LabCom e Branco Di Fátima, jornalista e investigador do mesmo laboratório, foram "7.712.000 visualizações nas redes sociais (todas as vezes que o conteúdo aparece aos utilizadores, incluindo repetições), e geraram 324.555 reações, 51.922 comentários e 24.543 partilhas". Estes são números que “evidenciam um elevado envolvimento dos utilizadores com conteúdos desinformativos” e um “impacto expressivo no espaço público digital”.
Durante a pré-campanha e a campanha eleitoral, os investigadores fizeram um estudo ao longo de quatro semanas, durante as quais identificaram "14 casos de desinformação e André Ventura, candidato apoiado pelo Chega, é responsável por 85,7% dos casos identificados, enquanto os restantes são de pré-candidatos que não foram aceites pelo Tribunal Constitucional (TC), como Joana Amaral Dias".
O vídeo foi utilizado em 71,4% dos casos, sendo este o formato preferencial para a desinformação, e as fotografias foram utilizadas em 28,6% dos casos identificados. Os investigadores dividem ainda a desinformação entre a "descredibilização dos media e dos jornalistas (42,9%), seguida de conteúdo manipulado (28,6%), falsificação de informação (21,4%) e uso de contexto falso (7,1%)", tendo sido a plataforma X a que maior número de casos concentrou, com 92,9%, seguida do Threads com 28,6% e do TikTok com 21%.
De acordo com o relatório do LabCom, o vídeo partilhado no dia 1 de janeiro por André Ventura, agora candidato à Presidência da República, "foi um dos casos com maior repercussão, tendo sido visualizado por mais de um milhão de vezes, com particular destaque para o Instagram".
A publicação feita na conta do líder do Chega, foi de um vídeo partilhado nas redes sociais do jornal espanhol OK Diário, que mostrava um incêndio na Igreja de Vondelkerk, em Amesterdão, na noite de Ano Novo, com a legenda "islamização da Europa", algo que foi prontamente desmentido.
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