A sinopse conta que "num tribunal de aldeia, a Dona Marta exige justiça: alguém invadiu o quarto da sua filha Eva durante a noite e partiu a sua bilha de estimação. Adão, o juiz autoritário e corrupto, prepara-se para resolver o caso em benefício próprio, mas por azar nesse dia recebe a visita de uma Inspetora vinda da cidade. Eva recusa-se a contar a verdade e as suspeitas caem sobre o seu noivo. Para Dona Brígida, que nada lhe escapa, o Diabo está envolvido na questão. Afinal, quem partiu a bilha da Dona Marta?".
Rui Ramos, diretor artístico e ator da Baal17, diz que "o espetáculo a “Bilha Quebrada” pretende, de forma cómica, explorar os mecanismos do poder, da justiça e da hipocrisia humana", acrescentando que "apesar do texto ter mais de dois séculos, a encenação pretende sublinhar a ironia da sua impressionante atualidade".
Refere também que "num ritmo rápido e numa fisicalidade marcada, oito atores para outras tantas personagens, sobem a um estrado/tabuado largo, estrutura única que funciona simultaneamente como tribunal, casa e palco da farsa. As figuras, grotescas, interpretadas de forma deliberadamente excessiva e em diálogo com a plateia, sublinham o carácter burlesco da obra onde por vezes se confunde o público com o privado".
Rui Ramos completa a nota acrescentando que "a bilha (quebrada), objeto aparentemente banal, motivo do julgamento, assume um forte valor simbólico - a fragilidade da justiça quando é exercida por mãos corrompidas - e funciona como um espelho crítico da sociedade atual, questionando a credibilidade das instituições e a facilidade com que a verdade pode ser manipulada. Tal como em Kleist, o riso surge, mas deixa sempre um travo amargo — sinal de um teatro que diverte, mas sobretudo inquieta".
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