O cabeça de lista do PS à Câmara de Beja, Paulo Arsénio, apresenta como prioridades a dinamização do pequeno e médio comércio e de zonas industriais e a criação de uma nova área empresarial.
"Nas zonas industriais, prevemos o planeamento de uma zona industrial nova, na denominada zona de Vale do Bispo”, para “criar lotes que tenham uma média de 10 hectares", disse à agência Lusa o atual presidente do município e recandidato pelo PS nas eleições autárquicas de domingo.
O objetivo, explicou, passa por infraestruturar e operacionalizar a área para que "médias empresas que, até agora, não têm encontrado oportunidade [para se fixarem] em Beja possam fazê-lo".
"É uma área que já adquirimos. Já temos 16 hectares e estamos a negociar mais uma pequena parcela para acrescentar e, depois, fazer o planeamento e, eventualmente, a infraestruturação”, caso haja fundos comunitários, admitiu, durante uma ação de campanha no Parque Industrial.
Em relação aos pequenos e médios comerciantes, o candidato admitiu criar "um fundo de apoio à reestruturação das suas lojas" elaborado em conjunto com a Associação de Comércio, Serviços e Turismo do Distrito de Beja.
O cabeça de lista da CDU à Câmara de Beja, Vítor Picado, defende a necessidade de contratar mais pessoal não docente e técnicos especializados para as escolas do concelho, admitindo que existem trabalhadores "exaustos".
"Os rácios são insuficientes para fazer face às necessidades das escolas. Temos pessoas exaustas", afirmou à agência Lusa o candidato da CDU (PCP/PEV), à margem de uma ação de campanha junto à Escola Básica de Santa Maria.
Segundo Vítor Picado, uma das "questões fundamentais" do seu programa eleitoral passa pela contratação de mais pessoal não docente, nomeadamente "com formação ao nível do acompanhamento de crianças com necessidades educativas específicas", e de técnicos especializados.
O candidato comunista propõe também a criação de um gabinete de apoio psicossocial para "trabalhar nas questões dos riscos associados ao ‘stress’ e ao ‘burnout’", assim como de um serviço de apoio jurídico aos trabalhadores.
"Queremos trabalhar para além do trabalhador [enquanto] mão-de-obra, queremos trabalhar também a [sua] dimensão humana", aludiu.
O candidato da coligação PSD/CDS-PP/IL à Câmara de Beja, Nuno Palma Ferro, criticou o "deficiente serviço" de higiene urbana prestado pelo atual executivo nos últimos anos, admitindo apenas melhorias no fim do mandato.
"Este mandato foi caracterizado por um deficiente serviço público prestado na higiene e limpeza, não obstante, o Beja Consegue na vereação ter apoiado, sustentado e solicitado medidas sérias na intervenção à higiene urbana", criticou.
Para Nuno Palma Ferro, ainda em relação a este capítulo da higiene e limpeza, só "no fim do mandato" é que disse terem existido "alguns sinais visíveis" de melhorias na atuação da câmara, porém, "já em jeito quase de campanha eleitoral".
"Propusemos que a higiene urbana no centro histórico fosse feita também ao fim de semana [e], nas últimas semanas, isso verificou-se, ainda que de um modo não completamente satisfatório do ponto de vista da eficácia da limpeza", argumentou.
O candidato assumiu que é necessário existirem "medidas de curto, médio e longo prazo" neste setor, que incluam nomeadamente "mais meios humanos e técnicos" e o aumento do número de campanhas de sensibilização.
O candidato do Chega à Câmara de Beja, David Catita, defende uma aposta "forte" na segurança do concelho, admitindo a criação de uma polícia municipal para "aliviar as forças de segurança" dos "trabalhos mais administrativos".
"Muitas vezes, as forças de segurança estão a fazer trabalho administrativo, a verificar papelada, coisas que não são tão determinantes e, portanto, queremos com a polícia municipal ocupar essa parte e permitir que as forças de segurança trabalhem [e] que tenham mais presença no terreno", disse à agência Lusa David Catita.
Segundo o cabeça de lista, este serviço deverá dar resposta "junto às escolas" para "reduzir o assédio, a criminalidade [e] o 'bullying’", na vigilância noturna para "atenuar a insegurança" dos jovens e nas freguesias rurais.
"É fundamental que as pessoas que vivem no mundo rural se sintam seguras, sintam que passa lá de vez em quando alguém [ou] alguma força de segurança", afirmou durante uma ação de campanha no Jardim do Bacalhau.
O candidato prevê a operacionalização de três equipas afetas à Polícia Municipal de Beja.
No âmbito da Segurança, David Catita admitiu também a necessidade de "criar condições, em termos de instalações [e] equipamentos", para os elementos da Polícia de Segurança Pública (PSP), da Guarda Nacional Republicana (GNR), da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC)e dos Bombeiros Voluntários de Beja.
A candidata do Bloco de Esquerda à Câmara de Beja, Madalena Figueira, criticou o "trabalho escravo" de mão de obra migrante, consequência da "aposta no agronegócio" das monoculturas intensivas de olival e amendoal no concelho.
Em declarações à agência Lusa numa visita a uma habitação de trabalhadores migrantes em Vila Azedo, Madalena Figueira alertou para as consequências diretas que a "aposta no agronegócio assente em monoculturas" intensivas tem no "trabalho escravo".
"Tanto no centro da cidade de Beja como nas várias freguesias rurais, como a Vila Azedo, temos casos de vários relatos de trabalhadores agrícolas imigrantes que nos contam de retenção dos próprios documentos, pagamentos em atraso [ou] falta de pagamento à Segurança Social", exemplificou.
Segundo Madalena Figueira, estas situações estão "a acontecer um bocadinho debaixo do nosso nariz" e, por isso, o Bloco de Esquerda (BE) "é uma moratória, ou seja, um travão" para este cenário.
Neste âmbito, a cabeça de lista defende no seu programa eleitoral a revisão do Plano Diretor Municipal, a fiscalização articulada com a Autoridade para a Condições do Trabalho (ACT) e o fim das atividades de subcontratação de mão de obra na agricultura.
Paralelamente, propõe a constituição de um Gabinete de Apoio Ao Imigrante que, para além de informar os trabalhadores sobre os seus direitos laborais, deve "denunciar, junto das autoridades competentes, casos de abuso laboral, fiscalizar arrendamentos de casas superlotadas [e] fornecer tradução dos documentos que se entendam que sejam mais urgentes".
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