“Teremos em breve um novo conjunto de reuniões com os representantes da empresa no Brasil e estamos a dar passos largos para o que acredito será a concretização desta empresa”, o que “também mostra que a Defesa Nacional pode ser um poderoso instrumento de coesão social”, realçou, à margem de uma deslocação à feira agropecuária Ovibeja.
Em 17 de dezembro do ano passado, nas instalações da OGMA - Indústria Aeronáutica de Portugal, em Alverca, o ministro da Defesa Nacional e o presidente empresa brasileira Embraer assinaram uma carta de intenção para a abertura de uma fábrica de aeronaves Super Tucano em Beja, na cerimónia que assinalou a entrega dos primeiros cinco aviões desta categoria.
A cerimónia assinalou a entrega pela Embraer SA à Força Aérea Portuguesa (FAP) das primeiras cinco A-29N Super Tucano de um total de 12, com entrega total prevista durante os próximos dois anos.
Nas declarações prestadas aos jornalistas hoje à noite na Ovibeja, tendo ao seu lado o presidente da Câmara de Beja, Nuno Palma Ferro (eleito pelo PCD/CDS-PP/IL), ministro lembrou que a Embraer é uma empresa com “tecnologia de ponta” e que a fábrica irá criar “empregos particularmente qualificados, melhor pagos, fixando jovens no interior, ajudando na criação e reforço de um cluster que é cada vez mais fixado também em Portugal”.
“Esta empresa tem um centro de engenharia em Lisboa, tem uma participação na OGMA, como referi o KC-390 é fabricado em grande parte em Portugal”, sublinhou.
Mas Beja, insistiu, “poderá e deverá ser o destino desta empresa que produzirá de A a Z aviões militares em Portugal. E eu não me recordo de há muitos anos, na verdade não me recordo no passado, de alguma vez isto ter acontecido em Portugal”.
Questionado sobre o possível cronograma deste investimento, Nuno Melo disse que “a expectativa será a da concretização do projeto já para o final do ano, partindo-se daí para a realização de obras infraestruturais, nomeadamente no edifício já identificado na base militar de Beja, para que se parta para a linha de produção”.
Instado pela agência Lusa a explicar se a fábrica poderá ficar dentro da Base Aérea N.º 11 (BA11) de Beja ou em terrenos contíguos, no terminal civil, ou seja, no aeroporto de Beja, Nuno Melo escusou-se a especificar: “Eu deixaria isso para um momento posterior, porque não quero adiantar aquilo que também tem a ver com situações de natureza técnica”.
“Ficará no perímetro da Base de Beja, junto àquilo que já foram em tempos também instalações pensadas para a produção de aeronaves, que nunca aconteceu”, limitou-se a referir.
Nuno Melo revelou também que o investimento, se revelar valores, será “’business oriented’”, ou seja, “é um projeto que será sustentável por si”, o que “implica necessariamente um investimento mínimo na adaptação das infraestruturas” e, “a partir daí, rentável e sem necessidade de particulares apoios europeus”.
Os Super Tucano são também “uma tipologia de aeronave que é cada vez mais desejada em ambientes disputados, inclusivamente com tecnologias incorporadas de combate a drones, que hoje fazem cada vez mais sentido”, realçou, frisando tratar-se de um avião “versátil”, que é “muito atual” e que tem “encomendas garantidas no momento em que a fábrica seja instalada”.
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